dougnaestrada escreveu:Após mais de um ano com a Mirage, segue um review. Espero que gostem!
Na época escolhi a Mirage em função do design e do desempenho. Também queria uma moto mais nova para evitar problemas com manutenção (na época as opções eram ela e Virago 250), pois usaria a moto no dia a dia e em viagens.
A moto é 2012/2013 (EFI com injeção da Delphi), dualtone vermelho/preto e foi comprada zero quilômetro e está com 14.500 quilômetros muito bem rodados em percursos urbanos e rodovias.
Conforto
A posição de pilotagem para mim (1,70m) é boa e não houve a necessidade de colocar comandos avançados.
O que fiz foi regular o guidão, trocar o banco e colocar plataformas. Essa combinação de mudanças deixou a moto um espetáculo de conforto!
O Banco original é bem ruinzinho assim como na maioria das customs e os amortecedores traseiros dão final de curso com relativa facilidade (no começo não, mas depois dos 8000 Km). Não cheguei a colocar os amortecedores FAR, mas dizem que a moto fica ainda mais gostosa.
Desempenho
Essa moto com seus 29 cv não faz feio nas estradas e acompanhou bem meus amigos com motos maiores (600cc) em velocidade de cruzeiro de aproximadamente 110Km/h. Em viagens era comum andar com ela com quase 150Kg de carga e só percebia uma perda significativa de performance em subidas longas.
Sem dúvidas ela tem o melhor motor dentre as concorrentes de 250cc! É uma autêntica V2 com motor DOHC (duplo comando de válvulas no cabeçote) com arrefecimento a ar e óleo. Esse motor tem como característica funcionar em altas rotações, sendo que seu torque máximo é obtido a 7000 RPM (isso frustra as pessoas que querem ronco de Harley, pois a baixa cilindrada e os canos de escape estreitos fazem o ronco afinar em altas rotações, ficando o som agradável apenas quando está em marcha lenta).
A estabilidade dela também é outro ponto forte, pois não balança com facilidade por causa de turbulência e ventos.
Ela também é boa de curvas, mas claro que tem suas limitações de inclinação por ser custom (cheguei a raspar o protetor de motor e o escapamento sem perder o controle da máquina).
O ponto negativo fica por conta do câmbio que teima e não engatar o neutro com a moto parada e o motor ligado. Nesse caso o piloto tem que se planejar para desengatar a moto com ela ainda em movimento.
Design
O design dela é bem clássico no melhor estilo long and low (longa e baixa) que chama a atenção por onde passa. É facilmente confundida com motos de mair cilindrada, principalmente depois de equipada com acessórios.
Acessórios e Customização
Não tive dificuldades de encontrar acessórios aqui em São Paulo ou pela Internet. Coloquei mata-cachorro (estilo Harley), bolha média, sissy bar, troquei os retrovisores pelos da Intruder, coloquei plataforma Dalavas, banco da Gilberto Bancos, alforges laterais e traseiro e ponteira Torbal.
Manutenção
Não tive problemas com peças e tenho certeza que a imensa lista de peças genéricas me ajudaria muito caso precisasse.
A mão de obra já é uma mais difícil, pois muitos mecânicos se recusam a mexer nas mirages com medo de ficar com a moto encostada por falta de peças. Isso dificilmente acontecerá se o mecânico for bom e tiver um pouco de boa vontade.
Nesse quesito tive problemas com mecânicos ruins que me causaram prejuízos e cobraram por serviços que não executaram e, por isso, optei por fazer as manutenções preventivas eu mesmo. Apenas a última revisão eu paguei para fazer por pura falta de tempo.
Confiabilidade
No início eu não confiava muito na moto devido aos problemas que passei, mas agora ela está estabilizada e confiaria tranquilamente em fazer uma longa viagem com ela.
Há relatos de viagens internacionais e grandes viagens nacionais em que as miragezinhas foram e voltaram sem o menor problema.
Problemas e defeitos
Com pouco mais de 4 mil quilômetros fiquei sem embreagem, pois o mecânico da Kasinki havia deixado o cabo enforcado na revisão dos três mil.
Com mais ou menos 6.500 Km tomei um baile para resolver a parte elétrica que havia me deixado na mão (nessa época já havia aberto mão da garantia). Na realidade o primeiro mecânico me enganou e apenas deu uma carga na bateria, sendo que o segundo trocou a bateria e desativou o sensor do pezinho (que eu havia diagnosticado que estava falhando), mas o que resolveu mesmo o problema foi a troca do retificador que eu mesmo fiz (usei um Chiaratto específico para Mirage 250).
Com 10 mil quilômetros mandei fazer uma limpeza de bicos (hoje tenho conhecimento que era desnecessária) que me resultou em três problemas: o especialista colocou velas incompatíveis, quebrou o cachimbo de vela e ainda danificou o bico injetor. Como não tinha conhecimento para diagnosticar isso, paguei por uma revisão na Edgar Soares que resolveu todos estes problemas causados pelo mexânico FDP.
Também tive que trocar o cabo do acelerador duas vezes (a manopla que coloquei e que estava mordendo o cabo) e também a tampa do magneto que perdi (usei a da Intruder 125 que é mais bonito).
Resumidamente o único problema grave foi o regulador/retificador, sendo que os demais foram provocados por inabilidade dos mecânicos. O resto foi manutenção preventiva além da trocar o óleo, esticar corrente e lavar.
Resumo
É uma moto que não deve ser largada e ter a sua manutenção preventiva negligenciada (na verdade nenhuma das motos atuais gosta), mas que é bastante confiável depois de ter seus problemas crônicos sanados. Melhor ainda se o candidato a proprietário se dispuser a buscar informações nos fóruns e no guia de serviços ou caso conte com um mecânico de sua confiança.
Se indico? Claro!!!

Não só indico como teria outra. Aliás, não estaria vendendo a minha caso pudesse ter duas motos (comprei uma Shadow).
O custo benefício de uma Mirage 250 usada é excepcional. Atualmente há boas motos a venda por preços bastante chamativos e com a vantagem de serem motos que, em muitos casos, já foram estabilizadas e ainda terão muitos anos de uso pela frente (desde que bem conservada).
Meu único arrependimento foi ter comprado uma moto zero e pagado por uma garantia que dificilmente é prestada de acordo o que se espera (abri mão da garantia porque as revisões eram caras e demoradas além das concessionárias estarem fechando).
Espero ter ajudado as pessoas que estão buscando informações para decidirem que moto comprar. Procurei colocar os fatos juntamente com minhas opiniões para tentar deixar as pessoas formarem suas próprias opiniões sobre esta boa máquina que é a Mirage 250.
