Pessoal, hoje resolvi dar continuidade no meu relato a a respeito da Shadow. De março para cá rodei uns 2.000 km com ela, eu diria que cerca de 60% na cidade e o restante em estrada. Ainda é pouco para uma posição definitiva mas foi o suficiente para eu formar algumas opiniões. Só pra reforçar, o que vou falar nas linhas abaixo é baseado em minha opinião. Não tenho experiência para comparar com isso ou aquilo então posso ter chegado a algumas conclusões diferente de outros proprietários.
Atenção, post longo!
Experiência na cidade: é difícil andar com uma moto longa e pesada na cidade. O ritmo de trânsito lento é cansativo para esse tipo de moto. Pelo menos dois dias na semana eu vou de moto para o trabalho, e sempre que não está chovendo eu vou para pós de moto depois do trabalho. São trechos relativamente curtos dentro da cidade (10km) que são vencidos em 20-30 min, dependendo do trânsito. Mas mesmo assim eu curto andar de moto pela cidade. Para percorrer este trecho eu levo o mesmo tempo de moto do que eu levo de carro. Não ando no corredor e ocupo o lugar de um carro, bem easy rider, mesmo. Porém andar na cidade tem os incovenientes que muitos já falaram por aqui. Motorista de carro mal educado, cego, distraído, falando no celular, burro, etc. Aprendi que andar no trânsito urbano exige 200% de atenção, antecipando a ação dos outros veículos e mantendo a distância. No início eu comecei a andar relaxado demais na cidade. Resultado, bati a moto quase parada no sinaleiro. Ganhei um amassado no tranque e mais meia dúzia de peças danificadas. Ainda bem que fiz seguro, senão seria R$3mil de prejú.
A meu ver, esse é o maior defeito dessa moto (e acho que todas as motos custom). Peças custam caro. O tanque novo, original custa $1200, aquela tampa cromada do filtro de ar custa $450. Os cabos do acelerador custa $130 o par. Mas também não dá pra querer que as peças da shadow custem o mesmo que as de uma CG. Salvo as devidas proporções, é o mesmo que o cara comprar um Ford Fusion e reclamar que as peças de reposição custem mais caro que o equivalente de um Ford Ka.
Experiência na estrada: é outra vida. A shadow foi feita para muito asfalto, grandes porções de cada vez. Eu estava apreensivo, para colocá-la na estrada. Na verdade eu tava mesmo é me cag*ndo de medo. Andei um mês inteiro na cidade antes de colocá-la na rodovia. Minha primeira viagem foi no encontro de 1º de maio, na viagem para barra velha. A ida, 160km debaixo de chuva, muito movimento e uma neblina ferrada na serra. Foi um ótimo batizado. O fato de andar em comboio na minha primeira vez ajudou muito e aprendi muito naquele trecho. De lá pra cá eu tenho aproveitado para dar uns tiros curtos para lugares próximos. Estou ficando viciado no asfalto. Descobri que andar de moto, até quando é ruim é bom

(leia-se 'ruim' como 'condições adversas' tipo chuva e frio)
De volta à Shadow,
a estrada é o território dela. Tudo aquilo que é difícil de pilotá-la no cidade é prezeiroso na estrada. Ao chegar aos 80km/h ela assenta no chão de um jeito e transmite muita segurança. É estável e firme. A pilotagem é confortável até uns 120km/h. Acima disso o vento o peito e a turbulência no capacete torna a experiência ruim. Por isso eu mantenho o velocímetro entre 100 e 110km/h. Essa é minha velocidade de cruzeiro para manter o passeio gostoso. Ontem desci a serra do mar (via BR277) para Morretes. É uma delícia fazer aquelas curvas a 80-90km/h. A moto simplesmente desliza pela estrada. A única coisa que me deixava menos a vontade era a possibilidade de encontrar um agente redutor de atrito no meio da curva e comer chão.
O retorno foi melhor ainda. O motorzão empurava a moto com tranquilidade. Mantendo 80-90km/h na subida da serra em 5ª marcha, só passando para 4ª para fazer ultrapassagens.
Apesar da suas características de moto feita para asfalto liso, ela tolera bastante imperfeições no pavimento. A suspensão copia bastante as irregularidades do asfalto, mas não chega a ser desconfortável. Andar sobre paralelepípedos não é o fim do mundo, mas não aconselho andar por estradas de terra esburacadas.
O banco original não é a oitava maravilha do mundo, mas meu traseiro já se acostumou a ele. Na primeira viagem meu traseiro adormeceu em meia hora, agora já estou indo confortável por até uma hora e meia. Com certeza um novo banco com apoio para lombar seria excelente, mas ainda não vai dar pra trocar o banco (é caaaaro).
Tenho 1,76m e uns 95kg. A posição de pilotagem é perfeita pra mim. As pernas ficam relaxadas, a posição do guidão ajuda a manter as costas retas. Mas quem tem 1,80m ou mais deve ter problemas.
Coloquei plataformas para o carona. Minha esposa vivia queimando a sola dos sapatos no escape. Então, para salvar o escape e os sapatos dela, eu coloquei a plataforma pra ela. Não comprei para mim por que eu me adaptei bem aos estribos. Não sei se me acostumaria com plataromas para mim.
Idependente da moto, nestas viagens descobri algumas coisas:
- Se estiver chovendo, use uma boa capa e aproveite a viagem. Até na chuva é gostoso de pilotar, só é um pouco mais incoveniente.
- Se estiver frio, proteja-se. Uma luva impermeável é essencial. Nada pior do que pilotar com os dedos dormentes por conta do frio. Sem contar que é perigoso você precisar freiar e os dedos não responderem. Uma balaclava faz milagres. Comprei uma da Solo, feita de um tecido técnico excelente. A umidade do suor e da respiração ficam longe da pele e protege muito do vento. Comprei uma jaca da Riffel de cordura. Ela tem um forro interno que protege o peito e as costas do frio muito bem. Porém como ela é de cordura e este material "respira e transpira", enquanto o vento bate ela fica gelada por dentro. Estou só esperando para chegar minhas restituição do IR para comprar uma jaqueta de couro grosso

Acho que vai ser mais adequado.
- Meu capacete é horrível. Assim que peguei a Shadow eu comprei um Zeus escamoteável (modelo 508) preto. Muito versátil para usar na cidade e trechos curtos na estrada. Entretanto ele é muito barulhento já nos 60km/h. A 100km/h eu mal consigo ouvir o motor (e olhe que eu tenho um escape Torbal de 3 polegadas). Vou comprar um fechado para usar na estrada antes que eu fique surdo.
- Sissy-bar é necessário se você quiser manter seu casamento. Foi a primeira coisa que coloquei na moto e até hoje minha esposa é grata por isso

- Mesmo que você não precise, ande sempre com um baú, bauleto ou até mesmo alforges. Nada pior do que estar na estrada ou ir para algum lugar diferente, encontrar algo legal e não poder comprar por que não vai conseguir levar de volta pra casa.
Em linhas gerais, estou muito satisfeito com a motoca. Pra ser honestou estou feliz da vida

. Só tem três coisinhas que eu não gosto nela. A posição do afogador (você tem ficar numa posição meio suicida para operar o botão do afogador), a ausência do medidor de combustível (ainda não me acostumei a medir o nível do tanque pelo odômetro) e a baixa capacidade do tanque, e por consequência, sua baixa autonomia.