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cros
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O julgamento que desmascarou o PT

Para o historiador Marco Antonio Villa, autor do recém-lançado “Mensalão”, o julgamento do STF é um marco histórico, que mostra a verdadeira e antiga face do partido de Lula
José Maria e Silva

Em 15 de maio de 2005, um domingo, a revista “Veja” chegou às bancas trazendo uma notícia banal: a denúncia de que um funcionário dos Correios estava cobrando R$ 3 mil de empresários, a título de acerto, para que eles pudessem participar de licitações. Tratava-se de mais um caso de corrupção no setor público, algo tão corriqueiro no Brasil que não chama a atenção de ninguém, tanto que a revista nem deu ao fato o destaque principal, preferindo tratar como manchete a luta do ator Raul Cortez contra o câncer. E olha que a denúncia era baseada num vídeo de quase duas horas de duração, em que o empresário não só aparecia pedindo propina como também afirmava que o esquema de corrupção era comandado pelo deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), um aliado do PT, que, como presidente do seu partido, dialogava com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como Roberto Jefferson tinha sido um dos principais líderes da “tropa de choque” do então presidente Fernando Collor de Mello, o novo caso de corrupção denunciado por “Veja” tendia a ser encarado com naturalidade e esquecido, com o passar das semanas. Tratava-se, aparentemente, de uma corrupção na periferia do poder, perpetrada por um aliado fisiológico do governo Lula, que o presidente e o PT, a contragosto, tiveram de engolir em nome da governabilidade. Quem poderia imaginar que o Partido dos Trabalhadores, a vestal da redemocratização do país, pudesse estar envolvido no maior escândalo documentado de corrupção de toda a história do Brasil, que acabaria rendendo no Supremo um processo de cerca de 5 mil páginas, 235 volumes, 600 testemunhas e cinco anos de investigações, apenas no âmbito da Justiça?

Afinal, exatos 13 anos antes da denúncia de propina nos Correios, que acabaria envolvendo o PT e o governo Lula, foi deflagrado o Movimento pela Ética na Política, mobilizando segmentos influentes da sociedade, como a OAB e a CNBB, e tendo entre seus principais arautos o Partido dos Traba­lha­dores, que não se conformava com a derrota de Lula em 1989 e tentava, de todas as formas, desestabilizar o governo Collor. Até então o PT era visto pela sociedade como um partido ético e idealista, cujas concessões para chegar ao poder eram apenas uma estratégia ditada pelas circunstâncias, sem abalar o compromisso do partido com a moralidade da vida pública. Mas esse encantamento do mundo político, sob a competente prestidigitação do PT, foi quebrado com o escândalo do Men­salão. É o que mostra o historiador Marco Antonio Villa no corajoso livro “Mensalão”, escrito no calor dos acontecimentos, como se dizia nos velhos tempos do jornalismo de papel, e publicado pela Leya, editora que pode se tornar um salutar contraponto mais à “direita” à Com­panhia das Letras.
O dissonante da academia

O historiador Marco Antonio Villa é uma das raras vozes dissonantes na academia brasileira, ao lado do sociólogo Demétrio Mag­noli, doutor em Geografia Humana pela USP, e do filósofo Denis Lerrer Rosenfield, doutor em filosofia em Paris e professor titular da Uni­versidade Federal do Rio Grande do Sul. Os três foram excomungados pela esquerda, que os trata como penas de aluguel da “imprensa golpista”. Devido à sua sistemática colaboração com a revista “Veja” desde que teve início o julgamento da Ação Penal 470, relativa ao mensalão, Marco Antonio Villa tem sido um dos mais atacados nos blogs influentes da esquerda, como o do jornalista Luis Nassif, que conta com dezenas de colaboradores. Mestre em Sociologia e doutor em História Social pela USP, Villa é professor associado da Univer­sidade Federal de São Carlos e já publicou vários livros, inclusive sobre líderes revolucionários. O primeiro, de 1984, foi “Pancho Villa: O Herói Des­foca­do”, publicado pela Editora Bra­siliense, a mais popular voz editorial da esquerda na época. Tam­bém escreveu sobre Canudos e é autor de “Vida e Morte no Sertão” (Ática, 2000), uma história das secas no Nordeste em que narra a fracassada saga dos camelos importados da África para servir de transporte no sertão.

Como se depreende de seu currículo, nem sempre a ocupação de Marco Antonio Villa como historiador foi a política atual, como pode parecer. Seu penúltimo livro foi “A História das Constituições Brasi­leiras” (Editora Leya, 2011), em que mostra as vicissitudes do constitucionalismo brasileiro ao longo do Império e da República, precariamente assentado na retórica e no fisiologismo. Já o “Mensalão”, o livro, talvez seja um trabalho mais de jornalista do que de historiador. Villa nem esperou a conclusão definitiva do julgamento da Ação Penal 470 para lançar a obra. Numa provável estratégia de marketing da Leya (carro-chefe de um grande grupo editorial português, que edita José Saramago e Antonio Lobo Antunes em Portugal), o lançamento do livro se deu em meio às últimas sessões da Ação Penal 470, quando o STF já estava discutindo a dosimetria das penas. O livro, impresso em novembro último, cobre o julgamento até o seu final, em outubro, quando se deu a condenação do comando petista do mensalão (José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares), classificada por Villa como “histórica, sem exagero”.

“Depois de sete anos de muitas polêmicas, pressões e acusações, havia sido condenada a direção do Partido dos Trabalhadores por corrupção ativa”, escreve Villa, tratando do 34ª sessão de julgamento, realizada em 10 de outubro, quando José Dirceu foi condenado por 8 votos contra 2, José Genoíno por 9 a 1 e Delúbio Soares por unanimidade. Na 39ª sessão, realizada em 22 de outubro, eles seriam condenados por formação de quadrilha, faltando apenas a dosimetria. “O PT que começou com a crise era um; o que terminou era outro”, sentencia Marco Antonio Villa. Mas ressalva: “Isso para efeito público. As práticas reveladas pela ação corajosa da CPI dos Correios não eram novas. Tinham alcançado grandes proporções, pois o partido detinha, desde 2003, o controle da máquina federal. Aquilo que era sabido e praticado pelos altos dirigentes desde priscas eras, era desconhecido por boa parte dos militantes e dos milhões de simpatizantes. Para muitos, que tinham acreditado piamente no discurso de que o PT era ‘contra tudo que estava aí’, como sinônimo de radical oposição ao status quo, o ano de 2005 havia sido terrível, cheio de desilusões. O encanto tinha acabado, como num conto de fadas. Mas com uma diferença: sem um final feliz”.

“Policial da Verdade”

O “Mensalão” de Marco An­tonio Villa foi escrito e editado de forma didática. Intercalando-se entre a narrativa da CPI Mista dos Correios e do processo no STF, há capítulos com páginas negras e fontes brancas, bem destacados, trazendo o dia a dia do Mensalão sintetizado em datas, a descrição jurídica dos crimes que estavam sendo julgados, a relação dos réus, dos crimes e das penas e um quadro com as condenações e absolvições de cada ministro. O contundente Joaquim Bar­bosa foi responsável por 96 condenações e apenas 16 absolvições, seguindo pelo estranho ministro Luiz Fux, com 93 condenações e 16 absolvições. No extremo oposto, Ricardo Lewandowski aparece com 70 absolvições e 42 condenações, seguido por Dias Tofolli com 61 absolvições e 51 condenações. Já o colegiado do STF (os ministros como um todo) foi responsável por 80 condenações e 32 absolvições. O resultado contrariou as expectativas do início do julgamento, quando “o sentimento de justiça estava no ar, mas também o de impunidade”, uma vez que, no julgamento de Fernando Collor, em dezembro de 1994, dos nove acusados no processo, apenas quatro foram condenados e o decano Celso Mello também votou pela absolvição de Collor por falta de provas.

Essa incerteza quanto ao julgamento decorria da própria peça acusatória, tachada pelos defensores dos réus de inconsistente e criticada, em alguns momentos, até pelo ministro Joaquim Barbosa. “Causou estranheza que muitos dos citados no relatório final da CPMI dos Correios e nas investigações da Polícia Federal acabaram não estando entre os acusados pela Pro­curadoria-Geral da República. O Banco BMG foi um deles”, lembra Villa. O BMG foi citado diversas vezes tanto na concessão de empréstimos considerados fantasiosos quanto no recebimento de autorização para realizar empréstimo consignado, uma operação milionária autorizada por medida provisória do presidente Lula, que ainda mandou cartas aos aposentados informando sobre o suposto beneficio de se endividar. O BMG vendeu sua carteira de empréstimos para a Caixa Econô­mica Federal por R$ 1 bilhão e, em agosto de 2012, quatro de seus diretores foram denunciados pela Procuradoria Geral da República em Minas Gerais, numa outra ação, devido a empréstimo para o PT. Também foi retirado da denúncia o nome do filho de Lula (Fábio Luis da Silva, o Lulinha), cuja empresa, a Gamecorp, recebeu R$ 5 milhões da Telemar, hoje Oi.

Mesmo assim, Lula ficou muito irritado quando viu que o julgamento do mensalão entrou na pauta do Supremo, com data marcada, e não seria protelado até que todos os crime prescrevessem. Quando do recebimento da denúncia, em 2007, o então presidente Lula disse que “61% do povo deu a resposta na eleição do ano passado”. Marco Antonio Villa comenta: “Fazia referência à eleição presidencial de 2006, como se um fato tivesse relação com outro, ou, ainda pior, como se uma eleição significasse uma espécie de anistia aos crimes cometidos pelo governo e seus asseclas”. Lula reagiu, pressionando ministros do Supremo, inclusive Gilmar Mendes, tentando envolvê-lo nas investigações da CPI do Cachoeira, na esperança de protelar o julgamento até 2013, para não coincidir com as eleições deste ano. O historiador lembra que Lula, fortalecido pela reeleição, “passou todo o segundo mandato dizendo que o mensalão nunca tinha existido, mas o ‘policial da verdade’ fracassou para o bem da democracia brasileira”.

Vitória de Joaquim Barbosa

A primeira sessão do Supremo Tribunal Federal para apreciar a denúncia da Procuradoria da República sobre o mensalão foi em 22 de agosto de 2007, totalizando 36 horas de trabalho em cinco dias. O inquérito tinha 11.200 páginas, 41 testemunhas e 40 réus. O então procurador-geral Antonio Fernando de Souza — que o seu colega Manoel Pastana acusa de ter deixado Lula de fora da ação propositalmente — sustentou sua denúncia em 136 páginas, em que aparece sete vezes a palavra “quadrilha” e José Dirceu era apontado como chefe do esquema. O ministro Joaquim Barbosa foi escolhido por sorteio para ser o relator e, segundo Marco Antonio Villa, ele foi o grande vencedor no processo do mensalão, pois, no âmbito interno do STF, ganhou todas as 112 votações, das quais 96 por unanimidade. O que não era nada fácil. Já na fase de recebimento da denúncia, o clima estava tenso em Brasília. Só os advogados diretamente envolvidos com o processo eram 150. “Especulava-se que o conjunto da defesa receberia 60 milhões de reais. Só um dos réus pagaria ao seu defensor 30 milhões de reais”, conta Villa.

“Era voz corrente que a ação penal seria julgada no segundo semestre de 2010. Contudo, estendeu-se até dezembro de 2011, quando a ação foi encaminhada pelo ministro revisor, Ricardo Lewan­dowski”, afirma Villa, acrescentando que a imprensa criticava a morosidade do processo, com receio de que as penas dos eventuais condenados prescrevessem. Era a aposta de Lula. “Essa estratégia, digna de um Ministério da Verdade orwelliano estava dando certo”, observa o historiador. O PT passou a apostar na lentidão da revisão, já que Lewandowski, ao contrário de Bar­bosa, encampou quase todas as teses da defesa, desde o recebimento da denúncia, quando chegou a ser flagrado ao telefone dizendo que estava “tinindo nos cascos” para se contrapor a Joaquim Barbosa. “A delonga na revisão foi logo percebida. A pressão dos próprios colegas — e, em especial, do ministro Ayres Brito — emparedou Lewandowski. O relatório da revisão foi entregue no primeiro semestre e o julgamento marcado para agosto, logo depois das férias. Em represália, o ministro não compareceu à reunião que estabeleceu o calendário do julgamento (Dias Toffoli também não — estava numa festa de casamento de um banqueiro em São Paulo)”, conta Villa.

Quando o julgamento da Ação Penal 470 (o Mensalão) teve início em 2 de agosto deste ano, já era previsto o constante embate entre Joaquim Barbosa, o relator, e Ricardo Lewandowski, o revisor. Volta e meia, Barbosa também se desentendia com Marco Aurelio Mello, mas a serenidade do ex-petista Ayres Brito, presidente da Corte, acabava acalmando o conflagrado ambiente. Devido aos seus problemas de saúde, Joaquim Barbosa passava a maior parte das sessões de pé, atrás do plenário, dispunha de uma sala especial, com um fisioterapeuta, que o atendia nos momentos de maior dor. Seu “longo e indignado relatório demonstrou como o aparelho de estado foi tomado por um projeto de poder corrupto e autoritário”, escreve Villa, que também reproduz no livro dois poemas de Ayres Brito, um singelo, quase de autoajuda, falando de céus e colibris, e outro panfletário, praticamente debitando o crime à conta da desigualdade social.

O Poderoso Dirceu

José Dirceu, como o réu mais poderoso entre os 40, é impiedosamente criticado por Marco Antonio Villa. O historiador não acredita na história de que Dirceu fez e refez o rosto por meio de cirurgias plásticas em Cuba na época que esteve envolvido na luta armada e, depois, escondido no interior do Paraná. “Se a história de José Dirceu é marcada pela fantasia, sua defesa no processo do mensalão não ficou atrás”, diz Villa, lembrando que o ex-ministro de Lula plantou na imprensa que pretendia fazer sua própria defesa, como Fidel Castro, em 1953, quando foi processado pelo ataque ao Quartel de Moncada. “Depois afirmou que pretendia liderar movimentos sociais para pressionar o STF. Mais uma balela. Sempre contando com generoso espaço na imprensa”, ironiza o historiador. O advogado de Dirceu, José Lins de Oliveira Lima, não ficou atrás nas bravatas: disse “o pedido de condenação de José Dirceu é o mais atrevido e escandaloso ataque à Constituição”.

Essa, aliás, foi a tônica dos réus petistas, que trataram a denúncia contra eles como um atentado à democracia e aos direitos humanos. O advogado de José Genoíno, Luiz Fernando Pacheco, “considerou a denúncia uma extensão do direito penal nazista”. Já o advogado de Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros, autor intelectual da tese do caixa dois de campanha, além de falar “tranquilamente da compra do PL por 10 milhões de reais, como se fosse algo absolutamente rotineiro, normal, da política”, também mencionou a crucificação de Cristo e a libertação de Barrabás, dando a entender que seu cliente estava sendo sacrificado. O advogado de Simone Vasconcelos, Leonardo Yarochewsky, encarando o procurador-geral Roberto Gurgel, recitou versos de “Apesar de Você”, de Chico Buarque, “como se ele fosse o representante de um poder discricionário, tal qual o ministro da Justiça de Costa e Silva, Gama e Silva, para quem havia sido dirigida originalmente a música”. Villa ironiza o excesso de citação de Chico Buarque no STF, que poderia levar um estrangeiro a pensar que o compositor é o “Shakespeare brasileiro”.

À defesa dos réus não faltou histrionismo. O defensor da secretária de Paulo Rocha, Luiz Maximiano Mota, olhando para o procurador-geral, disse que não iria citar Chico Buarque (“já deu o que tinha que dar”) e lascou Cazuza: “Procurador, sua piscina está cheia de ratos. As tuas ideias não correspondem aos fatos. O tempo não para”. Já o advogado Paulo Sérgio Abreu, defensor de Geiza dos Santos, referiu-se a ela como funcionária “mequetrefe” de Simone Vascon­celos. E explicou: “Pensei em me referir a ela como funcionária ‘baranga’, mas seria muito deselegante e inapropriado. Estava lá em casa, semana passada, tomando cerveja e o ‘mequetrefe’ apareceu, feito uma luz. Falei: é esse”. Mas para Villa, a pior defesa foi a do famoso Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, advogado de Demóstenes Torres e “dono de restaurante em Brasília que exerce ainda a profissão de advogado”. Kakay sugeriu que Gurgel deve a ele o cargo, por pertencer ao grupo de Claudio Fon­teles, seu antecessor, indicado por Kakay.

O fiasco de Thomaz Bastos

Além do histrionismo, não faltou falsa erudição. O advogado de Ramon Hollerbach, Hermes Guerrero, citou Alexandre Herculano ao cabo de sua sustentação oral: “Debaixo dos pés de cada geração que passa na terra dormem as cinzas de muitas gerações que a precederam”. A frase do romancista e historiador português é antológica, mas nada tinha a ver com a defesa que o advogado fazia de seu cliente. Erro em que também incorreu o advogado Alberto Toron, defensor do deputado petista João Paulo Cunha. Ele citou Oswald de Andrade, justamente num trecho em que o escritor modernista desanca a retórica dos advogados. O que leva Marco Antonio Villa a afirmar que Toron deveria ter citado outro trecho do iconoclasta “Manifesto Antropofágico”: “Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará. Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós”.

Nem Márcio Thomaz Bastos, apelidado de “God” (Deus) e amigo de Lula, escapou da mediocridade. Conta Villa: “Inseguro, como se ainda estivesse na Câmara Municipal de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, onde foi vereador pela Arena — partido da ditadura militar —, Bastos começou dizendo que os ministros não deveriam esperar ‘uma defesa sintética, uma defesa brilhante’. Estranha ponderação”. Villa mostra a fragilidade da argumentação de Thomaz Bastos: “Disse que sua defesa era ‘fastidiosa’ e que ‘para o bem de todos nós’ iria terminar. Não sem antes, claro, fazer uma citação de Rui Barbosa, que, na verdade, é de segunda mão, pois trata-se de uma passagem de Ésquilo: ‘Eu instituo este tribunal venerando, severo, incorruptível, guarda vigilante desta terra através do sono de todos, e anuncio aos cidadãos para que assim seja de hoje pelo futuro adiante’. Con­venhamos, a citação era vazia para o processo em tela. Inclusive porque podia dar vezo a várias interpretações, como a passagem ‘eu instituo este tribunal’. Como é sabido, dos atuais onze ministros, Bastos teve participação direta na nomeação de oito deles”.

“Condenação histórica”

O historiador conclui sobre a atuação dos advogados: “A corte já estava exausta. Não só ela. Qualquer um que estivesse assistindo àquela sessão não aguentaria mais a linguagem rebuscada e vazia dos advogados, o latinório primário, os gestos aprendidos em algum cursinho, a dicção e seus falsetes de indignação, em suma, todos os recursos usados habitualmente em um tribunal do júri estão sendo repetidos em pleno STF”. O próprio Supremo Tribunal Federal, apesar de ter levado a cabo o julgamento e merecer elogios por isso no livro, também é passível de críticas pontuais do historiador: “Mais uma vez ficou patente que o STF não conseguia agir como um colegiado. Cada ministro era um tribunal. A imprensa era utilizada para um ministro atacar o outro. E durante o julgamento do mensalão isso ocorreu diversas vezes.”

O que não impediu o Supremo de condenar não só os políticos, mas também os empresários envolvidos no esquema. O que, para Villa, é um fato inédito. “A condenação dos diretores do Banco Rural, sem exageros, pode ser considerada histórica”, escreve, lembrando que o banco esteve envolvido em outros escândalos, como o caso PC Farias, que levou à queda de Collor. “Nos últimos quarenta anos, o sistema financeiro brasileiro foi marcado por fraudes monumentais, mas os dirigentes dessas instituições acabaram sempre impunes. (...) A decisão do STF certamente influencia as instâncias inferiores da Justiça ao tratar de crimes financeiros. E, dessa vez, o sinal era claro: não haveria mais contemplação com os poderosos”.

Para Marco Antonio Villa, “a derrota dos advogados mais caros do processo — Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias, que teriam recebido juntos 28 milhões de reais pela defesa (Bastos com 20 milhões e Dias com 8 milhões) — também representou um alerta de que não bastava contratar um defensor de renome que o réu, independentemente da provas, seria absolvido”. Para o historiador Marco Antonio Villa, a decisão do STF dá um alento de que “é possível imaginar uma República em que os valores predominantes não sejam o da malandragem e da corrupção”, mas “para que isso se materialize de forma permanente é preciso mudar radicalmente a forma de fazer política e de participar dela”. E conclui utopicamente acadêmico: “É preciso refundar a República. Caso contrário, outros Delúbios, Josés, Marcos, Kátias, Valdemares surgirão”.

http://www.marcovilla.com.br/2012/12/me ... senha.html
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cros
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jirschik escreveu:Ahhh... Esse pessoal aqui tá muito sério!

FALA SÉRIO!!!
E tu já viu alguma coisa engraçado nessa política na última década?
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cros
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Inteligência militar revela que Rose era a “mulher invisível” que negociava diamantes africanos na Europa

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão - serrao (@) alertatotal.net

Exclusivo – O Rosegate revela mais duas bombas. Não existem registros nos anais da FAB de viagens internacionais feitas por Rosemary Novoa Noronha nos aviões da Presidência da República, embora a ex-chefe do gabinete paulista de Dilma tenha viajado 24 vezes ao exterior com o amigo e chefe Lula. Por tal informação, passada reservadamente pela inteligência das Forças Armadas ao Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, a “Doutora Rose” seria a “mulher invisível” que trabalhava para Lula.

Outro bomba. Rosemary utilizava um passaporte exclusivo de membros do primeiro escalão governamental para viagens de negócio ao exterior que fazia sem a presença do amigo Lula. Serviços de inteligência das Forças Armadas receberam informes de que Rose participaria de negócios com diamantes em pelo menos cinco países: Bélgica, Holanda, França, Inglaterra e Alemanha. As pedras preciosas seriam originárias de negócios ocultos feitos pela cúpula petralha na África, principalmente Angola. Tal informação também foi passada à PGR pelos militares.

Foram detectadas dezenas de viagens não-oficiais de Rosemary ao exterior, para "passeios de negócios". O passaporte especial a denunciou. Foram 23 para a França. Para Suíça, ocorreram 18, por via terrestre, partindo de Paris, e mais quatro por via aérea. Rose também fez 12 deslocamentos de avião para a Inglaterra. Outras sete viagens para o Caribe e os Estados Unidos, aconteceram de navio – de acordo com a inteligência militar brasileira.

Tais informações sigilosas sobre o Rosegate não aparecem nas 600 páginas do inquérito da Operação Porto Seguro. Militares também estão checando o informe, que circula pela internet, de que, numa viagem de Lula a Portugal, Doutora Rose teria levado, na mala diplomática, 25 milhões de Euros. O valor, que teria sido declarado à receita portuguesa, seguiu em carro forte para depósito na agência central do Banco Espírito Santo, na cidade do Porto.

Como os documentos sobre tal operação estariam arquivados na Aduana do aeroporto internacional Francisco de Sá Carneiro, a petralhada morre de medo que se confirme o informe do e-mail denúncia – segundo o qual Rose mandou fazer o depósito tendo Luiz Inácio Lula da Silva como o possível beneficiário de um seguro que fora feito para evitar “algum sinistro” com tanto dinheiro.

Diante de novas denúncias que surgem com o Rosegate, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, se prepara para pedir, a qualquer momento, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Luiz Inácio Lula da Silva & Família. A solicitação é um desdobramento do julgamento do Mensalão e servirá para alimentar de informações o Processo Investigatório 2.474. Correndo em segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal, desde 2007, com 77 volumes de fatos concretos, o trabalho investiga as relações de negócios entre o PT, o Banco BMG, e o mito Lula.

Gurgel quer saber como e onde Lula aplica os recursos que recebe nas palestras que vem dando no Brasil e no exterior. O Instituto Lula também pode ser alvo do Procurador, para saber quem são as pessoas físicas e jurídicas que andam financiando as atividades políticas de Lula. A maior preocupação do ex-presidente é com a Polícia e a Receita Federal. Lula foi informado de que servidores fora do controle do Governo – mas agindo dentro da lei e do dever de ofício – teriam informações comprometedoras sobre ele e seus filhos.

Se tudo vier à tona, o processo do Mensalão vai parecer roubo de galinha no quintal do vizinho mais próximo...
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gildalfer
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Pouco tempo atrás, o Irã e o líder supremo, aiatolá Ruhollah Khomeini, pediu ao mundo muçulmano para boicotar tudo e qualquer coisa que tem origem judaica; em resposta, Meyer M. Treinkman, um farmacêutico, além da bondade de seu coração, se ofereceu para ajudá-los em seu boicote da seguinte forma:


"Qualquer muçulmano que tem sífilis não deve ser curado pelo teste de Wasserman que foi descoberto por um judeu Dr. Ehrlich." "Muçulmanos que tem gonorréia, não devem procurar o diagnóstico, porque ele vai estar usando o método de um judeu chamado Neissner."

"Um muçulmano que tem uma doença cardíaca não deve usar Digitalis, descoberta por um, judeu Ludwig Traube."

"Se ele sofrer com uma dor de dente, não deve usar novocaína, uma descoberta dos judeus, Widal e Weil."

"Se um muçulmano tem diabetes, não deve usar insulina, o resultado da pesquisa por Minkowsky, um judeu."

"Se tiver uma dor de cabeça, deve evitar Pyramidon e Antypyrin, devido aos judeus, Spiro e Ellege."

"Muçulmanos com convulsões devem ficar assim, porque era um judeu Oscar Leibreich, que propôs o uso de hidrato de cloral."

"Árabes devem fazer o mesmo com seus males psíquicos, porque Freud, pai da psicanálise, era um judeu."

"Se uma criança muçulmana pegar Difteria, ela deve abster-se de usar o "Schick" reação, que foi inventado pelo judeu, Bella Schick."

"Os muçulmanos devem estar prontos para morrer em grande número e não deve permitir o tratamento da orelha e danos cerebrais, o trabalho de judeus ganhadores do Prêmio Nobel, como Robert Baram."

"Eles devem continuar a morrer ou ficar aleijados por Paralisia Infantil, porque o descobridor da vacina anti-pólio é judeu, Jonas Salk."

"Os muçulmanos devem se recusar a usar estreptomicina e continuar a morrer de tuberculose, porque um judeu, Zalman Waxman, inventou a droga milagrosa contra esta doença mortal."

"Médicos muçulmanos devem descartar todas as descobertas e melhorias feitas pelo dermatologista Judas Sehn Bento, ou o especialista em pulmão, Frawnkel, e de muitas outras de renome mundial, cientistas judeus e especialistas médicos."

"Muçulmanos apropriadamente devem permanecer aflitos com sífilis, gonorréia, doença de coração, dores de cabeça, tifo, diabetes, transtornos mentais, convulsões, poliomielite e tuberculose e ter
orgulho de obedecer ao boicote islâmico".

"Ah, e por falar nisso, não chame um médico em seu telefone celular porque o telefone celular foi inventado em Israel por um engenheiro judeu."

Enquanto isso eu pergunto, que contribuições médicas os muçulmanos fizeram para o mundo?


A população Islamica é de aproximadamente é de 1.200.000.000; um bilhão e duzentos milhões ou 20% da população do mundo.


Eles receberam os seguintes Prêmios Nobel:


Literatura:
1988 - Najib Mahfooz

Paz:
1978 - Mohamed Anwar El-Sadat
1990 - Elias James Corey
1994 - Yasser Arafat:
1999 - Ahmed Zewai


Economia:
(Zero)

Física:
(Zero)

Medicina:
1960 - Peter Brian Medawar
1998 - Mourad Ferid


TOTAL: 7 SETE


A população global judia é de aproximadamente 14 milhões, cerca de 0,02% da população do mundo.

Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura:
1910 - Paul Heyse
1927 - Henri Bergson
1958 - Boris Pasternak
1966 - Shmuel Yosef Agnon
1966 - Nelly Sachs
1976 - Saul Bellow
1978 - Isaac Bashevis Singer
1981 - Elias Canetti
1987 - Joseph Brodsky
1991 - Nadine Gordimer Mundial

Paz:
1911 - Alfred Fried
1911 - Tobias Michael Carel Asser
1968 - René Cassin
1973 - Henry Kissinger
1978 - Menachem Begin
1986 - Elie Wiesel
1994 - Shimon Peres
1994 - Yitzhak Rabin

Física:
1905 - Adolf Von Baeyer
1906 - Henri Moissan
1907 - Albert Abraham Michelson
1908 - Gabriel Lippmann
1910 - Otto Wallach
1915 - Richard Willstaetter
1918 - Fritz Haber
1921 - Albert Einstein
1922 - Niels Bohr
1925 - James Franck
1925 - Gustav Hertz
1943 - Gustav Stern
1943 - George Charles de Hevesy
1944 - Isidor Isaac Rabi
1952 - Felix Bloch
1954 - Max Born
1958 - Igor Tamm
1959 - Emilio Segre
1960 - Donald A. Glaser
1961 - Robert Hofstadter
1961 - Melvin Calvin
1962 - Lev Davidovich Landau
1962 - Max Ferdinand Perutz
1965 - Richard Phillips Feynman
1965 - Julian Schwinger
1969 - Murray Gell-Mann
1971 - Dennis Gabor
1972 - William Howard Stein
1973 - Brian David Josephson
1975 - Benjamin Mottleson
1976 - Burton Richter
1977 - Ilya Prigogine
1978 - Arno Penzias Allan
1978 - Peter L Kapitza
1979 - Stephen Weinberg
1979 - Sheldon Glashow
1979 - Herbert Charles Brown
1980 - Paul Berg
1980 - Walter Gilbert
1981 - Roald Hoffmann
1982 - Aaron Klug
1985 - Albert A. Hauptman
1985 - Jerome Karle
1986 - Dudley R. Herschbach
1988 - Robert Huber
1988 - Leon Lederman
1988 - Melvin Schwartz
1988 - Jack Steinberger
1989 - Sidney Altman
1990 - Jerome Friedman
1992 - Rudolph Marcus
1995 - Martin Perl
2000 - Alan J. Heeger

Economia:
1970 - Paul Anthony Samuelson
1971 - Simon Kuznets
1972 - Kenneth Joseph Arrow
1975 - Leonid Kantorovich
1976 - Milton Friedman
1978 - Herbert A. Simon
1980 - Lawrence Robert Klein
1985 - Franco Modigliani
1987 - Robert M. Solow
1990 - Harry Markowitz
1990 - Merton Miller
1992 - Gary Becker
1993 - Robert Fogel

Medicina:
1908 - Elie Metchnikoff
1908 - Paul Erlich
1914 - Robert Barany
1922 - Otto Meyerhof
1930 - Karl Landsteiner
1931 - Otto Warburg
1936 - Otto Loewi
1944 - Joseph Erlanger
1944 - Herbert Spencer Gasser
1945 - Ernst Boris Cadeia
1946 - Hermann Joseph Muller
1950 - Tadeus Reichstein
1952 - Selman Abraham Waksman
1953 - Hans Krebs
1953 - Fritz Albert Lipmann
1958 - Joshua Lederberg
1959 - Arthur Kornberg
1964 - Konrad Bloch
1965 - François Jacob
1965 - Andre Lwoff
1967 - George Wald
1968 - Marshall W. Nirenberg
1969 - Salvador Luria
1970 - Julius Axelrod
1970 - Sir Bernard Katz
1972 - Gerald Maurice Edelman
1975 - Howard Martin Temin
1976 - Baruch Blumberg S.
1977 - Roselyn Sussman Yalow
1978 - Daniel Nathans
1980 - Baruj Benacerraf
1984 - Cesar Milstein
1985 - Michael Stuart Brown
1985 - Joseph L. Goldstein
1986 - Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini]
1988 - Gertrude Elion
1989 - Harold Varmus
1991 - Erwin Neher
1991 - Bert Sakmann
1993 - Richard J. Roberts
1993 - Phillip Sharp
1994 - Alfred Gilman
1995 - Edward B. Lewis
1996 - Lu RoseIacovino

TOTAL: 129!

Os judeus não estão a promover lavagem cerebral em crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar mortes de judeus e outros não-muçulmanos.

Os judeus não seqüestram aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, ou se explodiram em restaurantes alemães.

Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja ou mosteiros

Não há um único judeu que proteste matando pessoas. Os judeus não fazem tráfico de escravos, nem tem líderes que pedem Jihad e morte a todos os outros povos"infiéis".

Talvez os muçulmanos do mundo devem considerar investir mais em educação e menos em terrorismo culpando os judeus por todos os seus problemas.

Os muçulmanos devem perguntar "O que eles podem fazer para a humanidade "?, Antes de exigir que a humanidade respeite-os.

Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os palestinos e seus vizinhos árabes, mesmo que você ache que conhece sobre a História daquela região, as duas frases seguintes realmente dizem tudo:

"Se os árabes depuserem as armas hoje, não haveria violência nunca mais. Se os judeus depuserem as armas hoje, não haveria mais Israel. "

Benjamin Netanyahu: General Eisenhower nos advertiu. É uma questão de história que, quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou as vítimas dos campos de extermínio ele ordenou todas as fotografias possíveis a serem tomadas, e para os alemães das cidades vizinhas fossem guiados através dos campos e ainda fez a enterrar os mortos.

Ele fez isso porque ele disse em palavras para este efeito: "Tenha tudo sobre documentação - obter os filmes - obter as testemunhas - porque em algum lugar no caminho da história algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu '

Recentemente, no Reino Unido debatem se para remover o Holocausto dos seus currículos escolares porque 'ofende' a população muçulmana, que afirma que nunca ocorreu.
Ele não foi removido ainda. No entanto, este é um presságio assustador sobre o medo que está atingindo o mundo, e o quão facilmente cada país está dando para ele.
É agora mais de 65 anos após a Segunda Guerra Mundial na Europa terminou.
Agora, mais do que nunca, com o Irã, entre outros, sustentando que o Holocausto é um mito, é imperativo assegurar que o mundo nunca esqueça.
Tio Giba
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Gestão de pessoas: desafio para os prefeitos

Hoje às 06h39
Cristina Goldschmidt*

Notícia de economia, a escolha do novo presidente do Banco da Inglaterra poderia ter sido reportada nas páginas de política da imprensa brasileira. Para substituir o número 1 do banco central dos ingleses, Mervyn King, prestes a se aposentar, o Ministério das Finanças sabatinou vários candidatos da comunidade britânica. O economista canadense Mark Carney, que preside o BC de seu país desde 2008, venceu. Assume o novo posto em julho, com mandato de cinco anos.

A sucessão no BC inglês, consumada no fim de 2012, é exemplo oportuno em tempos de nomeações municipais, após a posse dos prefeitos e vereadores. Em Londres, Carney foi escolhido graças ao currículo e aos resultados obtidos na carreira, somados à habilidade para lidar com êxitos e adversidades. Nos 5.568 municípios brasileiros, não deveria também a competência comprovada ser critério levado em conta para o preenchimento de cargos comissionados?

O caso da Inglaterra nos serve de alerta. Uma de suas lições é a de que precisamos mudar paradigmas na gestão de pessoas na administração pública. Não se trata de ignorar que alianças eleitorais condicionam a montagem dos governos. Mas, sim, de esperar que não levem ao menosprezo valores como qualificação técnica, capacidade gerencial, eficiência e – é claro – conduta ética.

Estratégica para os ingleses, em vez de meramente “política”, a troca de comando no BC também nos ensina como a alternância de poder na esfera pública pode ser conduzida com responsabilidade. Na tradição brasileira, ao contrário, tudo costuma recomeçar do zero cada vez que um novo grupo chega ao governo, em detrimento de iniciativas em curso, ainda que eficazes. O preço desse péssimo hábito tem sido altíssimo.

Na transição de poder e na escolha de pessoas, o Estado não pode dispensar a contribuição das práticas corporativas de gestão. Isso é cada vez mais percebido por governantes empenhados em racionalizar esforços e otimizar resultados. Para alcançá-los, a premissa é a mesma da esfera empresarial: transformar recursos adequadamente por meio da ação humana, com ferramentas apropriadas às funções de cada participante do processo.

Pessoas são um fator central na gestão do Estado. A exemplo do que ocorre nas corporações, também na administração pública o objetivo traçado, as metas e estratégias devem determinar a permanência ou a substituição dos ocupantes de postos-chave. Afinal, nos campos estatal e empresarial, os desafios gerenciais não são muito diferentes.

Em resumo: qual o interesse comum que a todos deve nortear – líder eleito, auxiliares, servidores – para que resultados sustentáveis se concretizem? A resposta depende da visão do líder a respeito do uso das ferramentas adequadas. Entre elas estão tecnologias, processos de trabalho, repertórios de informações e comportamentos – uma ferramenta recém-descoberta, pois faz pouco tempo que o mundo acordou para a compreensão de que gente é um fator de produção vital.

A performance de uma empresa e de uma cidade pode ser fortemente impactada pela negligência com valores como satisfação, qualidade de vida, saúde e desenvolvimento. São fatores de risco que, no seu gerenciamento, exigem visão dos líderes a respeito de comportamentos que gerem saldos positivos.

A passagem de bastão nos municípios, em 1° de janeiro, pôs na ordem do dia a importância de boas práticas de gestão de pessoas na administração estatal. O oposto já conhecemos: empreguismo, ineficiência, mau trato da coisa pública, como se ela fosse de ninguém.

O exemplo do Banco da Inglaterra pode, portanto, ser rico em aprendizado para a melhora da governança nos municípios. Para os novos prefeitos, neste momento de escolha de pessoas, ter compromisso com resultados sustentáveis pode ser um bom começo frente ao desafio de atender às expectativas de seus públicos de interesse.

* Cristina Goldschmidt é consultora em desenvolvimento de capital humano, gestão estratégica e carreira profissional. - cristina@consultingcg.com.br

http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/n ... prefeitos/
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Transposição do São Francisco

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Um pouco de filosofia.




Por Marcelo Dornelas


Para quem talvez ainda não conheça a estratégia do doutrinador italiano, ativista político e filósofo Antonio Gramsci, é bom deixar bem claro, pelo menos em poucas palavras, o que ele preconizava. Segundo o líder comunista, falecido em 1937, após passar anos na cadeia elaborando sua estratégia, a instauração de um regime comunista em países com uma democracia e uma economia relativamente consolidadas e estáveis, não podia se dar pela força, como aconteceu na Rússia, país que sequer havia conhecido a revolução industrial quando foi aprisionada pelos bolcheviques. Seria preciso, ao contrário, infiltrar lenta e gradualmente a idéia revolucionária (sem jamais declarar, que isso estava sendo feito), sempre pela via pacífica, legal, constitucional, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, por sinal, representam a grande maioria da população.
O objetivo somente seria atingido pela utilização de dois expedientes distintos: a hegemonia e a ocupação de espaços.
A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela análise de situação, de modo que quando o Comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isso deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo intelectual coletivo (o partido), que as dissemina pelos intelectuais orgânicos (ou, formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população.
É essa hegemonia, já adredemente fabricada, que faz com que todos os brasileiros, independentemente da idade, da condição sócio-econômica e do grau de instrução que tenham atingido, pensem de maneira uniforme sobre todo e qualquer assunto, nacional ou internacional.
O poder de manipulação é tamanho que até mesmo o senso crítico fica completamente imobilizado, incapaz de ajudar o indivíduo a analisar as questões de maneira isenta.
Os exemplos são numerosos: do desarmamento, ao aborto, da eutanásia, do movimento gay às políticas sociais, do racismo ao trabalho escravo, da inculpação social pelos crimes individuais à aceitação do caráter social de movimentos comprovadamente guerrilheiros (FARC, MST, MLST, MIR, ETA, etc.), todos eles visando destruir, por completo, valores que a sociedade tinha entranhados em sua alma, mas que, justamente por isso, não servem aos interesses do partido.
É que esses valores representam um conjunto de virtudes diametralmente opostas aos conceitos que o partido deseja inserir no corpo social e que servirão de embasamento para as transformações que pretende implantar.
Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava superação do senso comum, que outra coisa não é senão a hegemonia do pensamento.
Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista. E quando chegar a hora de dizer agora estamos prontos para ter realmente uma democracia (que, na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, seja ela a abolição da propriedade privada, seja ela o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa volta à pseudo-democracia, se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais. Afinal, Hitler, também não foi eleito pelo povo e não passou a ditar normas legais?! É exatamente a superação do senso comum, que fez com que todos acreditassem piamente que a contra revolução de 1964, não passou de um ato impensado dos Militares que, à falta do que fazer, decidiram implantar uma ditadura.
Como uma única palavra não foi dita sobre a ditadura que esses mesmos comunistas estavam praticamente conseguindo implantar naquela época (como haviam tentado em 1935 e como voltariam a tentar entre o final dos anos 60 e meados dos 70), ficou impossível ao brasileiro médio compreender que a intervenção das Forças Armadas veio justamente impedir que aquela desgraça se concretizasse. E, se elas não intervém também agora, é porque o povo, já completamente anestesiado, não tem nem forças para ir às ruas exigir tal providência.
É exatamente essa hegemonia de pensamento, que pôde imprimir nos brasileiros a idéia de que só o Estado pode resolver seus problemas mais comezinhos, o que tem causado um gigantismo antes nunca visto, com o crescente aumento da carga tributária para sustentá-lo.
A cada dia são criadas mais delegacias especializadas, mais conselhos, mais isso e mais aquilo para controlar e fiscalizar as ações de cidadãos, antes livres. É exatamente ela, a hegemonia gramsciana, utilizada pelo PT que inculcou em todos os cidadãos a crença de que os sem-terra foram massacrados pela Polícia Militar em Eldorado do Carajás, no Sul do Pará, quando na verdade a fita de vídeo original, contendo a gravação do episódio, mostrava claramente que eles agiram em legítima defesa diante de um número muito maior de sem-terras que, armados com foices, enxadas e até mesmo revólveres (como aparece naquela fita), avançou para cima dos policiais. É exatamente isso que fez espalhar a crença de que os fazendeiros são todos uns malvados e escravizadores de pobres trabalhadores indefesos, servindo, assim, de embasamento para que, em breve, o direito à propriedade seja eliminada da Constituição, se nela for encontrado algum tipo de trabalho escravo, cuja definição legal nem mesmo existe.
É exatamente isso que autorizou todos os brasileiros a imaginar que o Brasil é um país racista, a despeito de contar com o maior número de mulatos do planeta e de jamais ter sido registrado um único caso de desavença entre negros e brancos por causa da raça, como acontece nos Estados Unidos e na África do Sul. E é também graças à força da hegemonia, que ninguém parou para pensar que todas as desavenças já havidas entre negros e brancos entre nós, iniciaram-se por motivos fúteis, que vão do futebol à briga por ciúmes, muitas vezes regadas a uma boa caninha, nada tendo a ver com a cor da pele, já que também ocorrem da mesmíssima maneira entre indivíduos da mesma raça.
Evidente que, depois do que estou escrevendo, nada impede que se fabrique uma briga por causa da raça, com notícias em todos os jornais, para servir de prova do racismo por aqui. Isso nada mais seria do que o intelectual coletivo, agindo para o bem de sua própria causa.
É exatamente essa superação do senso comum, que fez com que a maioria acreditasse que as armas de fogo matam mais do que os acidentes de trânsito ou a desnutrição crônica infantil, malgrado os índices infinitamente superiores de mortes por estas duas causas, sem que medida alguma seja tomada para eliminá-las ou diminuí-las e sem que nenhuma propaganda incisiva seja feita para alardear tais descalabros.
A maciça propaganda do desarmamento foi, portanto, uma mentira descarada que salta aos olhos dos que realmente os têm. É exatamente isso que fez com que todos odiassem Bush e os norte-americanos e, inversamente, amassem de paixões Fidel Castro – Hugo Chavez, e vissem os terroristas iraquianos como meros resistentes contra o imperialismo americano.
É exatamente isso que fez com que todos pensassem que o Comunismo acabou, com a queda do Muro de Berlim e a desintegração da União Soviética, quando na verdade ele está hoje mais vivo do que nunca, principalmente em nosso continente, é só querer ver.
É exatamente isso que faz com que todo mundo se escandalize com assassinatos de fiscais do trabalho, como ocorrido em Unaí, ou de Irmã Dorothy Stein, no Pará, só para ficar em exemplos mais recentes. Essa escandalização foi sutilmente preparada para que todos os despreparados ficassem indignados com tamanha brutalidade, como se esta tivesse sido o resultado de uma reação iníqua à cândida e legal atuação do Estado ou de ONGs a ele atreladas.
É exatamente isso que permite que aceitemos, como a coisa mais natural do mundo que se chame chacina a morte de dois ou três sem-terras, enquanto que a morte de dois ou mil fazendeiros continuará sendo chamada de morte, simplesmente.
E tem sido exatamente isso, enfim, que permite várias outras opiniões uniformes que não passariam pelo crivo do juízo crítico caso ele ainda encontrasse forças para entrar em ação.
Mas como encontrar forças com tamanho rolo compressor a aplainar toda e qualquer opinião sobre o que quer que seja?! Daí a facilidade com que chavões do tipo justiça social, cidadania, construção de uma sociedade justa e igualitária, direitos humanos, etc., que só servem para estimular a velha luta de classes proposta por Marx e Engels, em seu Manifesto Comunista – 1848, passaram a habitar o imaginário popular. Afinal, são eles, os comunistas, que não desistem nunca!
A outra técnica Gramsciana, amplamente utilizada pelo PT é denominada de ocupação de espaços. Já dava mostras tão evidentes de visibilidade entre nós, com a nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT, em todo o território nacional (só para cargos federais), que nem mesmo precisaria ser novamente denunciada. O que faltava, entretanto, era fazer a conexão com a primeira técnica – a hegemonia.
Ora, sabendo que a superação do senso comum é tarefa dos intelectuais orgânicos importa reconhecer a necessidade de que eles estivessem em toda parte como erva daninha. Daí a nomeação, pelo intelectual coletivo, para todos os escalões do desgoverno petista (federal, estaduais ou municipais), de pessoas alinhadas com a ideologia do partido. Não foi à toa que o presidente Lula colocou nos ministérios vários derrotados pelo povo nas eleições estaduais e municipais como: Olívio Dutra, Tarso Genro, Humberto Costa, além de outros que de há muito estão comprometidos com o Comunismo, inclusive com vinculações internacionais. Basta ver como e o quê aconteceu e acontece no Foro de São Paulo e no Fórum Social Mundial, bem como quem são os seus patrocinadores e entidades integrantes, sabidamente criminosas.
A conclusão é tão lógica e óbvia, que chega a ser surpreendente que a ela ainda não tenham chegado todos os brasileiros, principalmente muitos daqueles que ostentam diploma de doutor e que têm, por isso mesmo, a obrigação moral de alertar seus compatriotas.
Só se pode entender sua adesão incondicional às táticas gramscistas por uma de duas razões: ou porque, apesar de doutores, são, na verdade, ignorantes da pior espécie, deixando-se levar por uma esparrela dessa, ou porque estão a serviço da engenhoca. Não há outra explicação!
O Brasil talvez seja o País no mundo onde a estratégia gramscista de tomada do poder utilizada pelo PT, mais se encontra avançada. A eleição de Lula foi apenas mais um passo numa estratégia muito mais densa.
O Brasil atualmente não possui uma oposição política onde impere a pluralidade de idéias, estamos atolados na unanimidade dos desesperados, a prova disto é que a esquerda se radicaliza cada vez mais.
O que é ainda mais demonstrativo do atual avanço da Revolução Gramscista, utilizado pelo PT no Brasil, é que a consciência individual está sendo substituída pela idéia do politicamente correto e do relativismo moral, os exemplos são gritantes: Sem-Terras armados invadindo fazendas produtivas e grandes empresas multinacionais de pesquisas são vítimas; fazendeiros ao se defenderem são criminosos; os traficantes que estão incitados numa guerra civil no Rio de Janeiro e São Paulo, são vítimas do sistema, sequer chegam a ser culpados; nós, os cidadãos que respeitamos as Leis, também devemos ser um pouco responsabilizados por estes atos (assim nos diz a mídia, todos os dias); os pastores e padres que falam contra o aborto e o homossexualismo são monstros comedores de crianças, os ditos freis que embalados na teologia da libertação, afirmam que Cuba é o paraíso na terra, não importa os dezessete mil mortos, são expoentes máximos da cristandade.
Analisem agora friamente e com a razão essa afirmativa: Nenhum presidente na História do Brasil, teria se mantido no Poder, se houvesse sido acusado de pelo menos metade das irregularidades e dos crimes cometidos de fato pelo Partido dos Trabalhadores, sob a benemérita liderança do Senhor Luís Inácio Lula da Silva. Ou por exemplo, o caso Waldomiro Diniz que é uma gota d'água no oceano;-muito mais difícil de explicar são as irregularidades no Programa Fome-Zero, ou os abusos totalitários contra o patrimônio público cometidos por diversos membros do desgoverno Lula-Dilma (onde até a cadela do presidente, passeava de carro oficial tranqüilamente),-o caso do Mensalão, amplamente discutido e comprovado em CPI e, devidamente denunciado pelo Procurador Geral da República;-o caso de caixa dois do PT (verbas não contabilizadas) e, que o próprio presidente em entrevista confirmou ser esta, uma prática de rotina no Brasil; envio de dinheiro ao exterior de forma ilícita;-quebra de sigilo bancário, telefônico e postal, de um simples caseiro que ousou denunciar um Ministro do desgoverno Lula e, as alianças sinistras entre o PT e as FARC (Colombianas), MIR (Chileno), PCC (Partido Comunista Cubano), ELN (Exército de Libertação Nacional), FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), PRD (Partido da Revolução Democrática), FMLN (Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional), URNG (União Revolucionária Nacional da Guatemala), dentre outros.
O que me causa estranheza nestas alianças sinistras, é o quase segredo absoluto que impera sobre os fatos ocorridos no Foro de São Paulo, onde não se viu ou vê, nenhum comentário mais acirrado da mídia especializada (ou não), ou até mesmo um ato de repúdio de nossas Forças Armadas, sobre tais acontecimentos no mínimo suspeitos.
Parece até que tudo está cor de rosa, neste mar de lama chamado Brasil!
Qualquer debate hoje no Brasil que envolva a Política Nacional, especialmente após os efeitos da queda do Muro da Vergonha, só pode ser considerado sério se discutido desde o ponto de vista da Revolução Gramscista, não por imposição ideológica, mas por verificação histórica, caso contrário tudo que teremos é um exercício de abstração teórica cujo conteúdo e implicações práticas não terão mais significação que uma discussão acalorada de mesa de bar.
Isto é exatamente em que será resumida a essência da intelligenzia nacional, quando todos os brasileiros se tornarem, sob as graças de Antonio Gramsci, intelectuais orgânicos, cuja única verdade é a mentira do partido. É dogmática ou romantizada a crença de que o homem é um fruto homogêneo de seu meio. Todavia, é deste último que a maioria das pessoas retira seus principais pontos de referência, distinguindo-se como indivíduos em sociedade. Raros são os homens que conseguem olhar dentro de si e não apenas em sua volta.
Por isso, reafirmo que o PT não tem Plano de Governo. Tem é Plano de Poder, adaptado-se ao projeto de instauração da Nova Ordem Mundial!
Tio Giba
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O “do contra” de Dilma e o “Ame-o ou deixe-o” de Médici

MIRANDA SÁ

Eu achei a referência de Dilma aos ‘do contra’ muito parecida com aquela antipatriótica provocação do ditador Médici com o ‘ame-o ou deixe-o’… E neles encontrei um desmentido ao postulado de Euclides, com as linhas paralelas encontrando-se no infinito…

Nos bancos escolares quebrei a cabeça com a equação (x – y)² = 4 das retas paralelas, e depois de idoso, descobri que as paralelas se encontram politicamente, com Dilma e Médici dividindo o Brasil; ela com os seus partidários de um lado e os “do contra” do outro; ele, com o “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Ambos – Médici – que já morreu –, e Dilma – morta viva –, mostraram não serem estadistas na acepção dicionarizada de ‘estadista’: “pessoa de atuação notável nos negócios políticos e na administração de um País. Homem ou Mulher de Estado.”

Não é uma “Mulher de Estado”, ocupar uma cadeia de rádio e televisão para admoestar os brasileiros que a criticam, classificando-os “do contra”, acusando-os de alarmistas e de fazerem previsões sem fundamento…

O alarmismo, para a Presidente, é a crítica feita à sua equivocada política energética, e previsões sem fundamento são, na verdade, do seu incompetente governo dependendo de chuvas para garantir a produção das hidroelétricas.

Seguindo as desgastadas lições do mestre e guia Lula da Silva, Dilma repete-se em promessas para uso dos fanáticos do lulo-petismo, pois já não alcançam mais a mente embotada dos bolsistas.

Ela disse que constrói mais usinas e mais linhas de transmissão para elevar em 7% a produção de energia; e promete que a capacidade instalada irá dobrar nos próximos 15 anos. Gravem, 15 anos; mas não apresentou planilha de custos, nem organograma e nem o cronograma desse prognóstico marqueteiro…

Pior do que isto foi a impostura da baixa nas contas de luz, enchendo um bolso e esvaziando o outro, pois seremos nós, contribuintes, que pagaremos o prejuízo das operadoras…

Isto realça bem a relação que faço entre a Era Lulo-petista e a Ditadura Médici; são inúmeras as semelhanças e inquestionáveis. Se uma máquina do tempo nos levasse ao ‘milagre econômico’ da propaganda do general Médici, veríamos Delfim Neto prometendo concentração de renda para fermentar o ‘bolo’ a ser fatiado no futuro.

Outra parecença: naquela época houve crescimento econômico, uma média de 11%, que conquistou a admiração países capitalistas; igualzinho às realizações lulo-petistas alicerçadas pelo plano real num momento de bonança internacional.

A comparação Médici-Dilma é também notável nas promessas. Com o General esperou-se o bolo crescer; com a Presidente, tudo está sempre por vir, a extinção da miséria, o devaneio do pré-sal; as 20 mil creches, 800 aeroportos, 10 mil quadras esportivas, o Trem Bala, a Ferrovia Transnordestina, a Transposição do Rio São Francisco, etc. etc.

Tudo virtual, uma propaganda que empurra para adiante o socialismo dos pelegos. E ainda estamos com sorte porque o lulo-petismo ainda não alcançou uma das suas metas que o regime militar materializou: o controle dos meios de comunicação e das atividades culturais, punindo tudo e todos que desagradem o governo. Igualam-se sempre as ditaduras e os governos populistas, tratando a imprensa como inimiga.

Querem a censura para evitar críticas e denúncias. Silenciar o alarmismo para não informar que entre 2011 e 2012, nosso déficit em contas correntes passou de US$ 52,4 bilhões para US$ 54,2 bilhões; e que o resultado global do balanço de pagamentos caiu de US$ 58,6 bilhões para US$ 18,9 bilhões…

Como Médici fez, querem controlar jornais e disciplinar os jornalistas porque são ‘do contra’ revelando as mentiras de Lula, confirmadas por Dilma, sobre a quitação da dívida externa e a fraudulenta auto-suficiência do petróleo.

Eles nunca leram ou assistiram às peças do grande Oscar Wilde, que ensina: “Se alguém diz a verdade, pode estar certo de que será descoberto, mais cedo ou mais tarde”

http://mirandasa.com.br/o-do-contra-de- ... mment-1410
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Tapa na cara

Por Marli Gonçalves

Corrupção, pouco caso, impunidade, leis não cumpridas, falta de ordem, de fiscalização, distribuição de propinas, cegueira generalizada, bandidos elegendo bandidos, fortes esmagando vozes, volta triunfante dos enxotados. Aqueles corpos estendidos no chão, queimados sem vela, envenenados em meio à alegria, e a simples menção da cena das centenas de celulares tocando em seus bolsos, procurados que eram naquela madrugada por quem pressentia que não mais os veria ou ouviria, não são coisa para se esquecer. E , assim como os sobreviventes e os feridos que ainda conseguirem escapar, lembrarão da terrível noite de Santa Maria para sempre, o resto de seus dias - inclusive porque certamente ainda sofrerão suas consequências - nós também não devíamos esquecer.

Mas esquecemos sempre, e sempre, como se nunca aprendêssemos nem com os nossos erros nem com os erros dos outros. Chega o Carnaval no país do próprio. Salões inseguros novamente estarão cheios de palhaços e colombinas com dedinhos para cima jogando álcool para dentro de si próprios, insanos, dormentes, banalizados e totalmente bananizados.

A serpentina, o confete, a música das bandas e trios elétricos, as piadas sem graça das musiquinhas axé-quentes-sensualizantes já transborda no país que esquece. Esquece de si. De seu papel, de suas possibilidades grandiosas de futuro. Tudo para viver um momento, um papel reles, pequenino, momentâneo, que acreditam histórico e infindável, com parceiros mal escolhidos, mal ajambrados. Com as névoas da propaganda maciça.

Não, não queremos luto eterno. Nem somos oposição por prazer. Queremos apenas que sirva para algo a alegria apagada daqueles cérebros que jamais veremos frutificar; assim como queremos, tinhosos que somos, que os feitos e a luta das milhares de pessoas perseguidas ou mortas lutando pela liberdade e democracia tenham valido.

Mas na mesma semana recebemos mais outros muitos tapas na cara. Murros. Descobrimos estupefatos que sempre pisamos todos em solos inseguros quando o pó da estrada baixa, após os cavaleiros passarem em garbo buscando culpados, tomando providências, batendo os cascos. Descobrimos, ainda, todos, que o idealismo morreu - vigoram agora os interesses, a divisão, a discórdia, as mentiras, e a desgraça de uma classe média que ainda ousa pensar, tentar reagir, se organizar, mas que dispõe de canetas apenas para abaixo-assinados ou para mostrar a boa marca em eventos sociais. Corajosa, mas apenas atrás da tela de um computador, de um pseudônimo; preguiçosa e egoísta demais para ir às ruas bater bumbo.

Isso é para a gente deixar de ser bobo, inocente, acreditar em pasteis de vento, que comemos ainda lambendo o leite derramado. Se festejamos alguma vitória, percebemos logo como elas eram apenas miragens no deserto ético. Ainda por cima, todos os dias ouvimos quietos que tripudiem em cima do pouco que achávamos ter conquistado, e eles o fazem de forma bruta, deselegante, terrivelmente avassaladora inclusive em nossas relações sociais - se não pensa como eles inimigo é. Criam exércitos de zumbis, usam robôs eletrônicos, amealham a ignorância, semeiam a discórdia, implodem ou manipulam os fatos, e quanto mais velhos vão ficando mais distantes estarão do que chamo de atingir o bom senso, como diria Tim Maia em seu Universo Racional. São guerrilhas desinteligentes e obtusas.

Não consigo ver passar esse rio em nossas vidas sem me chatear. Não tenho mais preferência de margem para pescar - nem direita, nem esquerda. Até porque não há nada mais antigo e burro do que definir o mundo assim de forma tão maniqueísta. Prefiro apenas navegar com meu barquinho.

Já pensei diferente, não esqueço não - e a margem esquerda sempre foi a minha predileta, porque tudo o que eu queria e almejava para mim e para o meu país estava lá.

Agora não está mais, quase nada de bom está ali - até ao contrário, infelizmente.

Do meu morrinho de observação vejo reunidas ali só umas pessoas muito chatas e transformadas, além de um monte de piranhas famintas pelo poder, dinheiro e alguma carne nova para triturar.


São Paulo, 2013, o ano que começou com o ferro e o fogo


Marli Gonçalves é jornalista - - Anda difícil escrever, ser voz ou dar voz à razão. Agora, ainda por cima, andam querendo destruir e desacreditar a imprensa. Não conseguirão. A gente sempre vai usar o jornal para embrulhar o peixe, incluindo essas piranhas que ora ocupam a margem esquerda. Nossos cães ainda ladrarão muito e farão xixi em cima das fotos deles, sempre flagrados em suas falcatruas.
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